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Housers

3,5/10

Uma das plataformas mais antigas do crowdfunding imobiliário espanhol e das mais conhecidas: em boa parte pelas razões erradas. Está registada na CNMV, mas foi multada por ela em 2019 em 215 mil euros por infrações muito graves, incluindo a forma como apresentava rentabilidades, comissões e riscos aos investidores. Voltou a ser multada em 2021, e há grupos de investidores em ação coletiva sobre projetos concretos.

Indicada para:Difícil de recomendar a alguém. Se investires, que seja com dinheiro que estás preparado para não ver durante muito tempo
Regulador
CNMV (Espanha), sancionada em 2019 e 2021
Mínimo de entrada
Varia por projeto (100 € a 500 €)
Modalidade dominante
Mista (empréstimo, renda, mais-valia)

Como cheguei a esta nota

7 / 20

  • Regulação e supervisão

    2/4

    Está registada na CNMV como plataforma de financiamento participativo, o que lhe dá o direito de operar. Mas foi a própria CNMV que a sancionou: 215 mil euros em setembro de 2019, repartidos por três infrações, das quais 90 mil por infração muito grave relativa ao princípio de neutralidade e ao dever de agir no melhor interesse dos clientes. Houve segunda sanção em 2021. Estar registada e estar em conformidade não são a mesma coisa.

  • Transparência

    1/4

    As sanções são públicas, saíram no Boletim Oficial do Estado espanhol e foram noticiadas pela imprensa económica. O problema é o objeto delas: a multa de 2019 foi precisamente pela forma como a plataforma informava os investidores sobre rentabilidades, comissões, riscos e avisos. Continua difícil saber o estado real de cada projeto em atraso e o desfecho dos processos em curso.

  • Proteção do capital

    2/4

    O dinheiro dos investidores é mantido em conta segregada através de uma instituição de pagamento licenciada, o que é o mínimo exigível e está cumprido. Mas os formatos oferecidos ao longo dos anos incluem participação em rendas e em mais-valias, sem garantia hipotecária sistemática, e há grupos de investidores organizados em ação coletiva sobre projetos concretos.

  • Histórico e dimensão

    1/4

    Lançada em 2015, é das mais antigas do crowdfunding imobiliário espanhol. Normalmente a antiguidade é uma vantagem numa análise; aqui serve sobretudo para haver histórico suficiente para documentar problemas: relatos consistentes de prazos anunciados que não se cumpriram, e um padrão repetido ao longo de anos.

  • Presença em Portugal

    1/4

    Chegou a Portugal com projetos e comunicação em português, o que a torna conhecida entre investidores portugueses. Mas não tem hoje atividade relevante cá, e a notoriedade que tem em Portugal deve-se em boa parte aos problemas e não aos projetos.

Cada critério vale até 4 pontos e é avaliado a partir de factos verificáveis, não de impressões. A nota final pesa também o que não cabe numa grelha. Se discordares de um critério, tens ao lado o motivo com que foi atribuído.

O que não consegui confirmar
  • O estado real de cada projeto em atraso.
  • O desfecho dos processos judiciais em curso, movidos por grupos de investidores organizados.

Análise Criterium

Principais vantagens

Registada e supervisionada pela CNMV

Está no registo de plataformas de financiamento participativo do regulador espanhol, com as obrigações que isso implica. É por causa dessa supervisão que os problemas ficaram documentados publicamente: sem regulador, não haveria sanção nem registo dela.

Dinheiro dos investidores em conta segregada

Os fundos são geridos por uma instituição de pagamento licenciada e mantidos separados dos da plataforma. Protege contra o cenário de a empresa desaparecer com o dinheiro; não protege contra o projeto correr mal.

Investimento mínimo baixo e histórico longo

Permite entrar com pouco dinheiro e tem quase uma década de projetos publicados, o que, para quem quiser fazer o trabalho, dá material real para avaliar antes de decidir.

A ter em conta

Sancionada pela CNMV por como informava os investidores

215 mil euros em 2019, dos quais 90 mil por infração muito grave ligada ao princípio de neutralidade e ao melhor interesse dos clientes, quanto a informação sobre rentabilidades, comissões, riscos e avisos. Para quem decide onde põe dinheiro a partir do que a plataforma escreve, é o problema mais grave que pode existir.

Não foi um caso isolado

Houve uma segunda sanção em 2021, recorrida pela empresa. Um regulador a voltar ao mesmo sítio muda a leitura: deixa de ser um erro pontual e passa a ser um padrão a considerar.

Investidores organizados em ação coletiva

Existem grupos de afetados a preparar ou a mover ações judiciais coletivas relativas a projetos concretos. Não é prova de responsabilidade (isso decide-se em tribunal), mas é um sinal de insatisfação a uma escala que não se vê nas outras plataformas desta lista.

Prazos anunciados que não se cumpriram

É a queixa mais repetida por quem investiu: os prazos de devolução comunicados na publicação dos projetos não corresponderam ao que aconteceu. Num produto ilíquido, o prazo não é um detalhe: é metade da decisão.

Modelos de investimento difíceis de comparar

Participação em rendas e em mais-valias não têm garantia hipotecária nem prazo fixo, e a rentabilidade anunciada é uma expectativa, não um juro. São formatos legítimos, mas exigem muito mais trabalho de leitura do que um empréstimo com hipoteca, e é precisamente na clareza dessa informação que o regulador encontrou problemas.

Conclusão Criterium

Uma plataforma pode ser legal e regulada e continuar a ser um mau sítio para pôr dinheiro. É a lição desta análise, e vale para o sector inteiro.

Dou à Housers 3,5 em 10: abaixo de 5,5, que na escala do Criterium significa problemas sérios. O que pesa não é o modelo de negócio nem a antiguidade: é o regulador ter sancionado a plataforma, em 215 mil euros, precisamente pela forma como informava os investidores sobre rentabilidades, comissões, riscos e avisos. Num site que existe para ler documentação de projetos, uma plataforma multada por causa dessa documentação é um problema de raiz.

Somam-se a segunda sanção em 2021, os grupos de investidores em ação coletiva e o padrão repetido de prazos que não se cumpriram.

Se ainda assim quiseres investir: trata cada projeto como se o prazo anunciado fosse uma estimativa otimista, lê a documentação com mais desconfiança do que noutra plataforma qualquer, e não ponhas lá dinheiro de que possas precisar.

E uma nota de método: escrevi isto a partir de informação pública. Não invisto na Housers e não tenho acesso à documentação interna dos projetos dela: esta análise não tem a profundidade das análises de projeto que publico da WeCity e da Urbanitae.

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Fontes: sanção de 2019 publicada no BOE e noticiada pela imprensa económica espanhola ([El Economista](https://www.eleconomista.es/empresas-finanzas/noticias/10105054/09/19/La-CNMV-multa-con-215000-euros-a-Housers-Global-Properties-por-infracciones-graves.html), [FACUA](https://facua.org/noticias/la-cnmv-multa-con-215-000-euros-a-housers-global-properties-por-cometer-varias-infracciones-muy-graves/)); segunda sanção noticiada em 2021 por [idealista](https://www.idealista.com/news/finanzas/inversion/2021/11/18/793424-housers-multada-otra-vez-por-la-cnmv); registo de plataformas de financiamento participativo da CNMV. Consultado a 22 de agosto de 2026.

A análise em detalhe

Abre só o que te interessar.

A Housers é uma plataforma espanhola de financiamento participativo lançada em 2015, registada na CNMV como plataforma de financiación participativa. Ao longo dos anos ofereceu vários formatos: empréstimos com garantia, participação em rendas de arrendamento e participação em mais-valias de venda.

Foi das primeiras a abrir o crowdfunding imobiliário ao pequeno investidor em Espanha, e chegou a Portugal com projetos e comunicação em português. Essa antiguidade é normalmente uma vantagem numa análise: aqui é sobretudo o que permite ver um histórico longo o suficiente para ter problemas documentados.

O que define esta plataforma não é o modelo de negócio: é o registo regulatório. Em setembro de 2019 a CNMV publicou uma sanção de 215 mil euros à Housers Global Properties, repartida por três infrações. A mais relevante para quem investe são os 90 mil euros por infração muito grave relacionada com o princípio de neutralidade e a obrigação de agir no melhor interesse dos clientes, no que respeita à informação sobre rentabilidades, comissões, riscos e avisos. Houve uma segunda sanção em 2021, que a empresa recorreu.

Somam-se relatos consistentes de prazos anunciados que não se cumpriram e grupos de investidores organizados em ação coletiva sobre projetos concretos.

Quem supervisiona. A CNMV, o regulador espanhol dos mercados de valores, onde a Housers está inscrita como plataforma de financiamento participativo. O dinheiro dos investidores é mantido em conta segregada através de uma instituição de pagamento licenciada.

⚠️ Estar registada não é o mesmo que estar tudo bem. É a confusão mais cara que se pode fazer no crowdfunding, e esta plataforma é o exemplo de manual: está registada na CNMV e foi multada pela CNMV em 215 mil euros por infrações muito graves. O registo diz que a empresa está autorizada a operar e é fiscalizada. Não diz que o que ela publica sobre um projeto está certo, nem que os prazos se vão cumprir.

O que é público. As sanções estão publicadas: a de 2019 saiu no Boletim Oficial do Estado espanhol e foi noticiada pela imprensa económica. As opiniões de investidores estão espalhadas por sites de avaliações e fóruns, com uma média que ronda os 3 em 5 no Trustpilot.

O que continua difícil de saber. O estado real de cada projeto em atraso e o desfecho dos processos judiciais em curso. Foi a dificuldade em obter essa informação que levou vários investidores a organizarem-se.

  1. 1

    Antes de criar conta

    Lê primeiro a secção de riscos desta página. É a única plataforma desta lista sobre a qual a minha recomendação é pensar duas vezes antes do primeiro passo, e não depois.

  2. 2

    Criar conta

    O registo é feito no site da Housers e está aberto a residentes na União Europeia, incluindo Portugal.

  3. 3

    Verificação de identidade

    Verificação de identidade e questionário de adequação, como em qualquer plataforma regulada. Lê os avisos que aparecem no fim do questionário: foi exatamente sobre a qualidade desses avisos que a CNMV sancionou a plataforma.

  4. 4

    Depositar dinheiro

    Por transferência para uma conta segregada gerida por uma instituição de pagamento licenciada.

  5. 5

    Escolher os projetos

    Repara no formato antes da rentabilidade: empréstimo com garantia, participação em rendas e participação em mais-valias são coisas muito diferentes, com riscos muito diferentes, e só o primeiro tem garantia sobre um imóvel.

  6. 6

    Contar com atrasos

    A queixa mais repetida por quem investiu é o incumprimento dos prazos anunciados. Assume que a data que lês é a melhor hipótese, não a mais provável.

Perguntas Frequentes

Está registada e supervisionada pela CNMV e mantém o dinheiro em conta segregada, o que responde ao risco de a empresa desaparecer com os fundos. Não responde ao risco que se materializou na prática: projetos que não cumpriram prazos, uma sanção do regulador sobre a forma como os investidores eram informados, e investidores em tribunal.

Não. O registo diz que a empresa está autorizada a operar e é fiscalizada; não diz que o que publica sobre um projeto está certo. A prova é a própria Housers: está registada na CNMV e foi multada pela CNMV em 215 mil euros. É a confusão mais cara do crowdfunding.

A escala do Criterium põe abaixo de 5,5 tudo o que tem problemas sérios. Uma sanção de infração muito grave sobre a forma de informar os investidores, seguida de uma segunda sanção e de ações coletivas, encaixa aí sem esforço. A nota não é uma opinião sobre as pessoas da empresa: é uma leitura do risco de quem lá põe dinheiro.

Não te posso dizer, não conheço a tua situação e não dou aconselhamento de investimento. O que posso dizer é o que eu iria verificar: o estado concreto de cada projeto onde estás, a data real do último pagamento recebido, e se o teu projeto está entre os que têm ação coletiva em curso.

Não. Não tenho qualquer relação comercial com a Housers e esta análise não me rende nada. É por isso que não há botão de registo nesta página, e é também por isso que posso escrever isto.

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Não tenho qualquer relação de afiliação com a Housers. Esta análise não me rende nada e não há nenhum link nesta página que me pague.